Caros Jornalistas
Cidadãs e Cidadãos Angolanos!
Companheiras e Companheiros!
Martirizado e Respeitável Povo angolano!
O Bloco Democrático entendeu levar ao conhecimento de todos os angolanos a sua visão sobre os 21 anos de paz comemorado no dia 04 de Abril.
21 anos depois as pessoas continuam a viver na indigência, resultado de uma crise política, económica, social e moral que denuncia a incapacidade dos que insistem em manter-se no poder, em meio a tanta insatisfação.
Angolanos e angolanas.
Angola, nossa terra, continua sem dar sinais de vitalidade, suas gentes continuam sem esperança, a pouca que lhes faltava, com a conquista da paz, em 2002, está sendo morta aos poucos pois, hoje ,passados 21 anos, os angolanos continuam a pagar caro porque lhes tem sido negado o essencial para se realizarem na sua própria terra. A crise que afeta as famílias, são incalculáveis, as desculpas de quem deveria dar resposta aos problemas das populações que multiplicam-se, pelo que:
1. Passados 21 anos, com a realização de cinco eleições, sendo a primeira realizada em 1992 assistimos a regressão do País cuja a prática do regime anuncia todos os anos o aprimoramento da ditadura que tem aniquilado a cidadania, em nome, falsamente, da paz e da estabilidade.
2. É enorme o retrocesso civilizacional, o que periga a construção do Estado Democrático de Direito e o acentuado desrespeito à Constituição da República como, de resto, tem sido característica distintiva do regime que viola, todos os dias, os mais elementares direitos do cidadão.
3. Angola embora país rico e com grandes oportunidades para ser um país próspero e estável economicamente, com bem-estar dos cidadãos, tem demonstrado nos últimos anos a persistência de uma política económica que não visa enriquecer os angolanos, que não almeja resolver os problemas da juventude e é enorme o número de jovens lançados no desemprego.
Um país que esqueceu os velhos “veteranos de guerra” e de luta clandestina; todos esquecidos por conta da ganância de poucos que hoje, cinicamente, se dizem empenhados em combater os privilégios, “quando todos nós sabemos que é no aparelho do Estado que está montada a máquina da corrupção.
4. Muitos veteranos continuam a ser enganados em relação à Segurança Social, continuam sendo enganados sobre a política de inserção na Caixa de Segurança Social, quando todos nós sabemos que são os filhos dos dirigentes ou gente, por conveniência que recebem na caixa social sem que tenham efectivamente lutado.
5. Angola já foi a segunda maior economia da África subsaariana e nunca os angolanos, em 21 anos de paz, sentiram os efeitos do crescimento económico. Ao longo dos últimos 21 anos os governantes tentam a todo custo enganar os angolanos falando-lhes “ de uma economia que não existe”, e por isso mesmo têm provocado a emigração dos quadros angolanos para o exterior, em busca da qualidade de vida que lhes é negada na sua terra.
6. Passados 21 anos de paz os dirigentes continuam cegamente a sua retórica de vitória e não falam dos “seus fracassos” e estão sempre querendo encontrar um culpado fora do governo, quando são suas opções, a sua cupidez que os impedem de dar resposta as expectativas e inquietações dos angolanos.
7. Os caminhos para o desenvolvimento não interessam ao partido que governa. Negam as autarquias, mas querem aumentar para 851 o número de municípios, quando está mais do que provado que não têm capacidade para governar os actuais 164, pelo que é questionável a qualidade administrativa dum governo que não reflete a vontade manifestada nas urnas, no dia 24 de Agosto de 2022.
8. O BD “nunca estará de acordo com a falsa ideia de paz defendida pelos que têm uma visão distorcida dela”. Para o BD ter paz significa:
- garantir educação de qualidade;
- garantir saúde de qualidade;
- proporcionar emprego a juventude;
- proporcionar qualidade de vida aos angolanos;
- respeitar e garantir a liberdade de expressão e de imprensa;
- não incentivar prisões políticas.
Enfim, significa também respeitar a cidadania e todas as suas formas de expressão.
9. Passados 21 anos de paz continua e com mais consistência o controlo político das instituições do Estado, como é o caso dos órgãos de comunicação social privados que todos os dias sofrem pressões, como forma de controlar a sua linha editorial.
10. Os órgãos estatais de comunicação social que deveriam estar ao serviço de todo o povo, tornaram-se no principal veículo da instabilidade, assumindo-se partidários em defesa da agenda da “diabolização” dos adversários políticos e civis, que em nome próprio defendem as suas posições. Esta prática, iniciada antes da proclamação da Independência Nacional, em 1975, tem sido continuada até hoje.
11. Conscientes desta e de outras situações que põem em causa a estabilidade, a construção do Estado Democrático e do processo de reconciliação nacional, conseguidos com o sacrifício de milhares de vidas de cidadãos, o Bloco Democrático apela ao Presidente da República e ao seu partido que assumam o seu fracasso e reconheçam que volvidos 21 anos de paz Angola ainda não se reencontrou.
12. O BD reconhece também que o fim da guerra tornou possível o fortalecimento económico da elite política de poder, abrindo caminho à acumulação primitiva e, com esta, o aprimoramento da cultura corrupta dentro do aparelho do Estado.
13. O BD entende que para a efectivação da paz em Angola é preciso um amplo movimento social capaz de reflectir juntamente com o governo os caminhos para a estabilidade do país, que passa pela implementação das Autarquias já!
Finalmente, o BD felicita a todos que se debateram e se debatem para o fim da guerra em todo o território nacional.
Que Deus abençoe Angola e os seus filhos.
SECRETARIADO NACIONAL DO BLOCO DEMOCRÁTICO-BD, em Luanda, 06 de Abril de 2023

















