DECLARAÇÃO DO BLOCO DEMOCRÁTICO

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR – 1 DE MAIO

No âmbito da celebração do Dia Internacional do Trabalhador, o Bloco Democrático dirige uma saudação fraterna a todos os trabalhadores angolanos,  reconhecendo o seu contributo decisivo para a construção e o desenvolvimento do nosso País.

Todavia, esta data não deve ser apenas um momento de celebração, mas também de reflexão séria e de tomada de posição face às persistentes injustiças que marcam o mundo do trabalho em Angola, a incapacidade de oferecer trabalho a toda a população activa bem como de o formalizar.

O Bloco Democrático manifesta profunda preocupação com a realidade vivida ainda por um número significativo de trabalhadores que continuam a exercer as suas funções em condições precárias, desprovidos de garantias mínimas de dignidade, segurança e protecção social. Sectores como a construção civil, a agricultura, a restauração, os serviços de segurança privada e as indústrias extractivas (como Salinas e outras) continuam a registar práticas laborais incompatíveis com o quadro legal, o que também agrava a situação de pobreza.

É particularmente grave que, apesar da existência de instrumentos legais, como o Decreto Presidencial n.º 152/24, de 17 de Julho, muitos trabalhadores permaneçam excluídos do acesso ao salário mínimo nacional. Esta situação configura uma violação inadmissível da lei e um atentado aos princípios fundamentais de justiça social.

Para além da questão remuneratória, persistem denúncias consistentes de condições de trabalho que atentam contra a dignidade humana, incluindo em empresas estrangeiras. Tais práticas, amplamente reportadas pela comunicação social e por organizações sindicais, exigem uma resposta institucional firme e imediata. De resto, é demasiado alto o grau de informalidade, pois entre 10 trabalhadores 8 são informais, o que mostra ser impressionante o nível de falta de proteção social e ser patente o advento duma velhice sem reforma para a maioria do povo angolano.

No que tange as condições do trabalho formal, o Bloco Democrático insta o Estado a assumir, com determinação, o seu papel de garante dos direitos dos trabalhadores, reforçando a autonomia, a independência, a não subordinação ao patronato e a eficácia das entidades inspectivas (Inspecção Geral do Trabalho), de modo a assegurar o cumprimento rigoroso da legislação laboral, sem excepções nem privilégios.

O Bloco Democrático considera igualmente essencial o fortalecimento do papel das Centrais Sindicais e dos sindicatos, enquanto instrumentos legítimos de representação e defesa dos interesses dos trabalhadores. Exorta-se estas organizações a actuarem com responsabilidade, independência apartidária e compromisso, com democraticidade interna e liberdade de expressão dos seus membros, colocando sempre os direitos colectivos acima de quaisquer interesses individuais e privilegios dos seus dirigentes, incluindo mandatos ilimitados. O movimento trabalhista só é forte e pode exercer um papel decisivo na sociedade se dar provas de alto nível democrático, capacidade interna de debate, contra saneamentos ilegais, com processos judiciais politicamente orientados, de membros defensores dos interesses genuinos dos trabalhadores.

Só assim, teremos Centrais Sindicais fortes que, cooperando, reforçarão a sua capacidade de intervenção e de resistência face a práticas abusivas, tanto na Administração Pública como nos sectores empresarial público e privado.

Por outro lado, sublinha-se a importância de um sistema judicial que se afirme, de forma inequívoca, como garante dos direitos e liberdades fundamentais. Decisões que limitem o exercício da actividade sindical (conforme artº 50º da Constituição) ou o direito à greve, como ocorreu com o Sindicato dos Jornalistas Angolanos, suscitam legítimas preocupações e devem ser objecto de reflexão profunda, à luz dos princípios do Estado que se afirma de Direito. Nesse sentido, é crucial dar voz – e não reprimir – ao Sindicato de Oficiais da Justiça de Angola, cujos recursos humanos valorizados  constituir-se-ão em “pilar essencial para um sistema de justiça eficiente e equitativo em Angola”.

Neste 1 de Maio, o Bloco Democrático reafirma o seu compromisso inabalável com a dignidade do trabalho, a justiça social e a construção de uma sociedade equitativa e enfatiza que a luta trabalhista é parte da conquista da democracia no país.

A defesa dos direitos dos trabalhadores não é apenas uma exigência legal — é uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentável e para a paz social, que se requer.

Pela Dignidade do Trabalho e Por um movimento sindical forte e corso

Liberdade, Modernidade, Cidadania

A Comissão Política Permanente do Bloco Democratico, em Luanda, 1 de Maio de 2026

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PRESIDENTE DO BLOCO DEMOCRÁTICO RECEBE SECRETÁRIO-GERAL DA COMISSÃO EPISCOPAL DE JUSTIÇA E PAZ DA CEAST

Presidente do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, recebeu na manhã desta quinta-feira, na Sede Nacional do Partido, o Secretário-Geral da Comissão Episcopal de Justiça e Paz da CEAST, Padre Celestino Epalanga.

O encontro, realizado às 10h00, decorreu num ambiente de diálogo institucional e reflexão sobre temas de elevada relevância para o presente e o futuro de Angola, com destaque para a Reconciliação Nacional, o Processo Eleitoral e a CIVICOP (Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos).

Durante a audiência, as partes analisaram a importância do fortalecimento da coesão social e da promoção de uma cultura de paz, tolerância política e diálogo permanente. No domínio do processo eleitoral, defenderam a necessidade de garantir eleições transparentes, credíveis, inclusivas e participativas, capazes de reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.

Relativamente à CIVICOP, foram partilhadas reflexões sobre o processo de implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, sublinhando a importância da preservação da memória histórica, da dignificação das vítimas e das suas famílias e da consolidação da reconciliação nacional como um dos pilares da construção de uma paz duradoura em Angola.

O Presidente do Bloco Democrático esteve acompanhado pelo Vice-Presidente, Américo Vaz; pelo Secretário-Geral Adjunto, Horácio Nsimba; pelo Coordenador-Geral do Gabinete Estratégico Eleitoral, Dr. Nelson Pestana; pelo Secretário para os Assuntos Cívicos e Relações Internacionais, Honorato; e pelo Secretário do Gabinete do Presidente, Victor Osvaldo.

O Bloco Democrático reafirma o seu compromisso com o diálogo permanente entre as forças políticas, as instituições da sociedade civil e as organizações religiosas, na convicção de que a construção de uma Angola mais justa, democrática e reconciliada exige a participação de todos os sectores da sociedade.

SIMÃO AFONSO – A BLINDAGEM CONSTITUCIONAL DOS LIMITES DE MANDATOEM ANGOLA: UMA ANÁLISE TÉCNICA DA REVISÃO CONSTITUCIONAL DE 2021

A Lei de Revisão Constitucional (Lei n.º 18/21, de 16 de Agosto) introduziu alterações cirúrgicas na Constituição da República de Angola (CRA) de 2010, redefinindo as regras de elegibilidade para os cargos de topo do Executivo. Ao reestruturar os artigos 110.º, 131.º e 132.º, o legislador tratou directamente dos impedimentos presidenciais, da extensão dessas regras ao Vice-Presidente e dos mecanismos de substituição em caso de vacatura.

Sob a óptica do rigor hermenêutico, a revisão de 2021 eliminou ambiguidades interpretativas, operando um bloqueio legal que impede a utilização da vice-presidência como via oblíqua para a perpetuação no poder.

O presente artigo analisa, por meio de questões directas, como o quadro normativo actual blinda o sistema político angolano contra eventuais tentativas de extensão de mandatos ou “terceiros mandatos” disfarçados.

​Questões Centrais

​1. Como funciona o princípio da extensão das inelegibilidades aos cargos de Presidente e Vice-Presidente?

​A trave-mestra que impede qualquer manobra de continuidade assenta na conjugação de dois preceitos fundamentais: o limite absoluto e a barreira de transmissão.

O Artigo 110.º, n.º 2, alínea b), estatui a inelegibilidade taxativa de antigos Presidentes que tenham cumprido dois mandatos. Por sua vez, o Artigo 131.º, n.º 4, estende de forma expressa (“com as devidas adaptações”) todas as inelegibilidades e impedimentos do Presidente ao cargo de Vice-Presidente. O efeito prático desta norma é a criação de um bloqueio absoluto na raiz do processo eleitoral: um cidadão que tenha exercido dois mandatos presidenciais está legalmente impedido de integrar qualquer lista como candidato a Vice-Presidente.

​2. É juridicamente possível um antigo Presidente regressar ao poder sendo cooptado ou eleito como Vice-Presidente?

​Não, perante o texto actual da CRA essa hipótese é nula. Para que ocorresse a ascensão à titularidade do Poder Executivo por via de vacatura (Artigo 132.º, n.º 1), o cidadão teria de ser previamente eleito Vice-Presidente. Como a candidatura a Vice-Presidente está vedada a quem já cumpriu dois mandatos (por força do Artigo 131.º, n.º 4), o Tribunal Constitucional — enquanto garante da legalidade eleitoral — tem a obrigação estrita de rejeitar a inclusão desse nome na lista partidária.

​3. As alterações introduzidas em 2021 visaram criar uma brecha para um “terceiro mandato”?

​Embora o debate público na altura da revisão constitucional especulasse sobre uma possível facilitação para a extensão de mandatos, a análise literal e técnico-jurídica do texto promulgado demonstra o oposto. A Lei n.º 18/21 não abriu brechas; pelo contrário, promoveu uma blindagem do texto constitucional. A introdução de regras explícitas de inelegibilidade por arrasto e a revogação do n.º 2 do Artigo 132.º fecharam as lacunas que, noutros ordenamentos jurídicos comparados, permitiram a figura do “Presidente-Sucedâneo” ou do “Vice-Presidente de transição”.

​4. O quadro constitucional actual permite uma recandidatura de João Lourenço ao cargo de Vice-Presidente?

​Não, o quadro normativo vigente em Angola proíbe qualquer engenharia jurídica que vise colocá-lo como candidato a Vice-Presidente. Uma vez findo o seu segundo mandato, o actual Presidente da República fica sob efeito imediato de inelegibilidade constitucional. Qualquer tentativa de inclusão do seu nome numa lista eleitoral para a vice-presidência violaria a constituição, exigindo, para ser viável, uma nova e profunda revisão da Lei Magna, e não apenas uma reinterpretação do texto actual.

​Conclusão

​A arquitectura constitucional angolana pós-2021 fixou critérios rígidos de elegibilidade. Ao blindar o cargo de Vice-Presidente com as mesmas restrições aplicadas ao Presidente, a CRA estabeleceu um limite material intransponível à permanência continuada no topo do Poder Executivo, salvaguardando o princípio da alternância democrática e a segurança jurídica do Estado de Direito.

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BLOCO DEMOCRÁTICO PROMOVE REFLEXÃO SOBRE A CRIANÇA COMO PRIORIDADE DO ESTADO ANGOLANO

O Bloco Democrático (BD) realizou hoje uma importante palestra subordinada ao tema “A Criança: O Problema Central do Estado Angolano”, ministrada pelo professor e académico José Luís Mendonça. A iniciativa reuniu militantes, simpatizantes, membros da sociedade civil e cidadãos interessados em refletir sobre os desafios que afectam a infância em Angola e o papel do Estado na garantia dos direitos fundamentais das crianças.

Durante a sua intervenção, José Luís Mendonça destacou que o futuro de qualquer nação depende da forma como trata as suas crianças, defendendo que a educação, a saúde, a alimentação, a protecção social e o desenvolvimento integral da criança devem ocupar o centro das políticas públicas. O académico alertou ainda para a necessidade de uma abordagem mais humanista e responsável por parte das instituições do Estado, colocando a infância como prioridade estratégica para o desenvolvimento sustentável do país.

Ao promover esta palestra, o Bloco Democrático reafirma o seu compromisso com a construção de uma Angola mais justa, inclusiva e comprometida com as futuras gerações. Para o partido, discutir a situação da criança angolana é discutir o próprio futuro da Nação, razão pela qual continuará a incentivar espaços de debate e reflexão sobre os principais desafios sociais que condicionam o desenvolvimento humano e o progresso do país.

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